Durante muitas décadas os animados bailes realizados na Vila de Paranapiacaba embalaram os passos de muitas pessoas que bailaram no salão.
Mas alguém nunca deixou de estar lá….
Durante o tempo dos ingleses era muito comum os moradores dedicarem seu tempo livre as artes, principalmente a música e dança.
Outra paixão local era o futebol, que alguns dizem ter sido introduzido no Brasil a partir de Paranapiacaba. Mas isso já é outra história…O futebol e as artes eram representados pela Sociedade Lyra da Serra, dedicada às artes e o Serrano Futebol Clube, que tem em seu currículo feitos como a vitória contra o Corinthians em jogo realizado na Vila.
As duas agremiações se uniram na sede, o Clube União Lyra Serrano, onde os bons músicos da Sociedade Lyra da Serra animavam os bailes locais. Os bailes eram tradicionais e juntavam todos os moradores e atraiam visitantes em animadas noitadas. Conta a história que uma jovem moradora exibia todas as suas habilidades de exímia bailarina, deslizado suavemente pelo salão embalada pela banda local. Seu sapateado atraia a atenção de todos que paravam para observá-la.
Em todos os bailes a presença desta jovem era certa e seu pequeno show particular embevecia a todos os presentes. Os tempos passaram e os bailes foram se tornando mais raros. A jovem envelheceu e a idade trouxe doenças que a impediram de fazer o que mais gostava: dançar. Com a limitação veio a tristeza e a morte.
Porém a passagem para um outro nível de existência, libertou a bailarina de seu corpo débil e hoje em algumas noites ela é vista deslizando seus leves passos pelo salão do Clube e quem passa ao lado do prédio garante que ouve seus sapateados.
Vigias noturnos teriam visto uma mulher (a tal dama) dançando sozinha no salão vazio – com as portas do clube trancadas – enquanto a pintura de uma distinta senhora pendurada na parede do clube desaparecia. Ao fim da dança, quando a dama sumia, o quadro voltava ao normal.

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