Toda noite de lua cheia é a mesma coisa há quase um século. Começou quando ainda não havia energia elétrica na estação. Os ferroviários já sabiam o que fazer quando chegava a lua cheia. Como na maioria das vezes ficava só um trabalhador no local, ele enchia o pátio da estação de cruzes de madeira, feitas com o material retirado de cercas para espantar um lobisomem que teimava em aparecer por lá. Quando os trens passavam, passageiros e tripulantes ficavam apavorados, pois o local parecia mal-assombrado.
Insistente, o lobisomem tentou entrar na casa de um dos ferroviários, no Km 17 da Noroeste, que acordou com o barulho do animal arranhando a porta. Como não tinha arma, ele arremessou um crucifixo na direção do bicho, que tropeçou e caiu em uma hortinha que ficava em frente à casa do trabalhador.
O lobisomem teria fugido e nunca mais voltado àquela casa, mas ele ficou para sempre na memória daquele ferroviário. Afinal, as pimentas que estava plantadas na horta ficaram doce como mel, em razão do bicho ter tocado nelas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário