sábado, 23 de junho de 2018

Região Centro-Sul.

Av. Amazonas c/Rua Curitiba, 1942.
1. ORIGEM:

A história da região Centro - Sul se confunde com a do Arraial do Curral Del Rei. Muito de sua pré-história foi retratada pela Comissão Construtora da Nova Capital - CCNC. Essa Comissão, nomeada em 1894, tinha o encargo de planejar e erguer a nova capital do Estado de Minas Gerais na localidade denominada Arraial do Curral Del Rei. A preocupação em documentar o pequeno povoado, tinha o intuito de demonstrar o tamanho da empreitada a ser executada pela CCNC. Parcela significativa dessa documentação fotográfica está guardada no Museu Histórico Abílio Barreto. A antiga sede desse museu, situada também na região, no bairro Cidade Jardim, é uma das últimas construções remanescentes da arquitetura curralense. Trata-se da antiga sede da Fazenda do Leitão, construída em 1883.

Outro ponto simbólico da região que merece destaque é a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem. Essa Catedral, em estilo neo-gótico, foi construída em 1932, no mesmo local da antiga igreja do arraial, cujo nome era o mesmo. Sob protestos de antigos moradores e da própria Igreja, a pequena igreja foi demolida aos poucos, simultaneamente à construção da nova catedral.

Simbolizando o estilo construtivo da região central, deparamo-nos com o ecletismo dos prédios oficiais, que era um contraponto ao barroco colonial de Ouro Preto, antiga capital, considerada inadequada como sede dos poderes estaduais. De acordo com os mudancistas, a topografia da cidade de Ouro Preto, encravada entre serras, era um empecilho ao seu crescimento. A nova capital deveria ser um lugar amplo, com vias largas e retas. Pautando-se nessa idéia, foi projetada a cidade, dividida em três zonas: urbana, suburbana e rural.

A zona urbana da cidade era circundada pela Avenida do Contorno e, em sua extensão foram construídas a sede do governo estadual, as secretarias e até moradias de secretários de Estado e demais funcionários estaduais. A zona suburbana foi criada para abrigar sítios e chácaras. A região Centro – Sul atual abrange toda a extensão do que foi a zona urbana, contendo, ainda a parte sul da região suburbana e uma faixa da zona rural.

Outro importante marco da região é o Parque Municipal Américo Renée Giannetti, inaugurado antes da própria capital, em setembro de 1897, com o triplo da área que hoje ocupa. Ele era refúgio da elite belorizontina para os momentos de lazer. Suas vias tortuosas, marcadas pelo estilo inglês de arquitetura, eram um contraponto ao estilo francês do tabuleiro de xadrez da cidade.

Outra referência simbólica da região era o chamado Bar do Ponto, localizado na esquina da Avenida Afonso Pena com Rua da Bahia, em frente ao famoso e imponente prédio dos Correios, uma das mais bonitas construções de época, demolido precocemente para construção do Edifício Sulacap.

Muito da arquitetura dessa região Centro - Sul, que hoje conhecemos, começou a ser esboçada na década de 1940. Prédios do início do século foram substituídos por verdadeiros espigões, comprovando a excepcional rapidez com que Belo Horizonte se verticalizou. Neste sentido, a região Centro - Sul da capital belorizontina guarda dentro de si, paradoxalmente, a histórica Cidade de Minas e a metrópole do século XXI, impondo-se no cenário nacional como um centro agregador de serviços, comércio e cultura.

A região Centro - Sul está localizada na bacia do ribeirão Arrudas e seus principais afluentes são o córrego do Leitão e o córrego da Serra. Possui uma variação altimétrica que vai de 1.151 metros na serra do Curral decrescendo para 650 metros em direção à região central. Situa-se na depressão de Belo Horizonte, formada por rochas graníticas de embasamento cristalino, e mais a noroeste por filitos e quartizitos do quadrilátero ferrífero.

Possui 120 praças e 9 parques abertos à visitação pública, destacando-se dentre eles o Parque Municipal Américo Renée Giannetti, que possui uma área de 180.000 metros quadrados, com flora bastante diversificada, incluindo plantas nativas e exóticas implantadas na época de sua criação, tais como pau-brasil, castanheiras e palmeiras, e o Parque Municipal das Mangabeiras, projetado por Roberto Burle Marx, que possui a maior área verde da capital, correspondente a 2,3 milhões de metros quadrados, com espécies típicas de cerrado e da mata atlântica, tais como sucupiras, aroeiras, candeias, paus-santos, jequitibá, entre outros.


Leia mais: https://bairrosdebelohorizonte.webnode.com.br/regi%c3%a3o%20centro-sul-/

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