terça-feira, 13 de junho de 2017

Rebouças, Avenida Iguaçu. Data: 7 de abril de 1950. Foto: Domingos Foggiatto. Acervo: Cid Destefani. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (14/01/1996)



Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia - O Último Apito (Cid Destefani, 14/01/1996)

"(...) Várias indústrias possuíam suas enormes chaminés e apitos, principalmente as ligadas ao beneficiamento da erva-mate. As madeireiras todas tinham. Outras indústrias como Todeschini, Mueller, Trevisan, Cruzeiro e Brahma possuíam seus apitos. Os moradores das redondezas das fábricas conheciam esses apitos pelos sons, sabendo perfeitamente que horas estavam apontando cada um deles. 

A cidade inteira e baseava nos apitos da fábricas, excluindo-se aí, o centro. Entretanto, a poucas quadras da Praça Tiradentes já se podiam ouvir os estridentes marcadores dos horários. Eram centenas deles espalhados pelos bairros e arrabaldes. 

(...) No começo da noite, todos os apitos das fábricas eram acionados. A zoeira era infernal e permanecia por mais de meia hora, quando o sons iam sumindo conforme o vapor nas caldeiras ia sendo consumido. 

Existiam ocasiões especiais quando estes apitos eram todos acionados. durante a última guera mundial, quando se faziam exercícios de black out, quando a cidade ficava totalmente às escuras, eles sinalizavam o início e o final destes exercícios, quando era proibido acender qualquer tipo de luz, até um palito de fósforo. Quando a guerra terminou os apitos tocaram festivamente o seu fim. 


Com o passar do tempo as fábricas foram sendo desativadas, os engenhos de erva-mate e as serrarias foram desaparecendo e, junto com eles, os sons estridentes que marcavam os horários dos curitibano dos anos quarenta (...).

Revolta Estudantil - Junho de 1945 - Causa: aumento das passagens de bondes e ônibus em Cr$0,10 (dez centavos). Data: 06/06/1945. Foto: Domingos Foggiato. Acervo Cid Destefani. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia, (06/06/1993)



Gazeta do Povo - Coluna Nostalgia, Cid Destefani - 06/06/1993

A nossa máquina do tempo vai nos transportar para o começo do mês de junho de 1945, quando não fazia ainda um mês que havia acabado a 2ª Guerra Mundial. Tudo começou no dia 31 de maio quando surgiu na imprensa o seguinte comunicado: 

"A Companhia Força e Luz do Paraná (CFLP), na contingência de fazer vigorar para seus empregados a tabela de reajustamento de salários comunica ao público que a partir e junho de 1945, fará cobrar nos serviços de transporte coletivo a seu cargo (ônibus e bondes) a taxa adicional de Cr$ 0,10 (dez centavos) por passagem, pelo qual serão observadas as seguintes tarifas devidamente aprovadas pela prefeitura: Linhas de Bondes: Praça Tiradentes à Água Verde: Cr$0,30 - Água Verde ao Portão: Cr$0,30 - Praça Tiradentes ao Portão (direto): Cr$ 0,50 - Praça Tiradentes ao Juvevê: Cr$0,30 - Juvevê ao Bacacheri: Cr$ 0,30 - Praça Tiradentes ao Bacacheri (direto): Cr$ 0,50 - Praça Zacarias ao Batel: Cr$ 0,30 - Batel ao seminário: Cr$0,20 - Praça Zacarias ao Seminário (direto): Cr$0,40 - Trajano Reis ao Asilo Cr$ 0,30 - Asilo ao Prado: Cr$0,30 - Praça Tiradentes ao Prado (direto): Cr$0,50 - Linha de ônibus Alto da Rua XV ao Hospital Militar: R$ 0,40".

Este comunicado foi o estopim com retardo para o que iria acontecer no dia 3 de junho, quando à noite, por volta das 21 horas, começaram os protestos dos estudantes universitários que em número aproximado de uma centena fizeram uma viagem de bonde da Praça Zacarias ao Seminário, retornando ao ponto de partida, onde retiveram o veículo até as 23 horas. À frente da multidão os diretores da União Paranaense dos Estudantes (UPE), cujo presidente Francisco Oswaldo Costelucci falou às pessoas ali reunidas, atacando os lucros das passagens e os altos lucros auferidos pela CFLP. O manifesto foi pacífico contando com a presença de policiais.



O mesmo bonde derrubado por estudantes na Avenida João Gualberto. Foto: Domingos Foggiato, 06/06/1945. Acervo: Cid Destefani, publicada na mesma Coluna Nostalgia de 06/06/1993.

No dia seguinte, 4 de junho, os estudantes universitários, em comissão, levaram notas de protestos ao Interventor Interino Rosaldo Mello Leitão, ao chefe de polícia, major Fernando Flores e ao prefeito Alexandre Beltrão, além de ter sido expedido um telegrama ao presidente da república. Já no dia 5 as manifestações começara a tomar o rumo da violência, apesar do manifesto publicado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Empresa de Carris de Curitiba, apelando ao povo que apoiasse o aumento que iria trazer melhorias aos trabalhadores e que a situação dos salários, como estava, era insustentável.

Em contrapartida, a UPE mantinha-se em assembléia e visitava o Comando da 5ª Região Militar. Os estudantes, durante o dia, junto a populares, lotavam os bondes e se negavam a pagar as passagens, mantendo-se pacificamente dento dos veículos. À noite o movimento esquentou e o povo depredou vários bondes, tendo a CFLP interrompido o tráfego dos mesmos em quase todos os bairros.

Os estudantes ainda apelavam para que a população se mantivesse pacífica enquanto se processavam as demarches junto ao governo para o retorno da tabela antiga.

No dia 6, pela manhã, foi tombado um bonde da linha Juvevê, na Avenida João Gualberto. À tarde, uma comissão da UPE esteve outra vez com o interventor com quem confabularam por mais de uma hora e meia, quando imensa massa popular ficou em frente ao Palácio do Alto São Franciso (Mansão Garmatter). Nesse manifesto, a UPE julgava-se no dever de defender o povo contra a ganância e a especulação da Companhia Força e Luz, cujas tenazes se apertavam sobremodo nas taxas de luz, ultra-exorbitantes. Se a CFLP estivesse sofrendo prejuízos, ela não estaria senão sofrendo o que o povo sofria nesses reajustes de pós-guerra. Nesse momento o governo deveria dar preferência em estar com o povo, já sobrecarregado de tantos encargos, e não entregá-lo sem proteção aos seus algozes.

Em resposta às reivindicações estudantis, o governo mandou, à noite, piquetes de cavalaria da Força Policial para a frente dos Colégios Iguaçu e Novo Ateneu, quando os milicianos deram cargas com suas espadas desembainhadas contra os estudantes que saíam das provas parciais de meio de ano. Vários foram feridos, tendo inclusive cavalarianos tentado adentrar com suas montarias no Colégio Iguaçu. Foi uma verdadeira operação "matar no ninho", afim de impedir que os colegiais voltassem a atacar os coletivos. Motivados por esta agressão, os estudantes criariam poucos dias depois, a União Paranaense dos Estudantes Secundários. 



Em junho de 1945, policiais vigiavam a entrada da garagem de bondes da Companhia Força e Luz do Paraná, em frente ao prédio da Assembléia Legislativa (hoje sede da Câmara).

Para encurtar um pouco a história da revolta dos estudantes por causa do aumento de 10 centavos na passagem dos coletivos, podemos dizer que ela se estendeu até o dia 15 de junho, com visitas diárias às autoridades, agora já com as fileiras engrossadas por sociedades operárias sindicatos e professores além da população que apoiou firmemente o movimento encetado pelos nossos estudantes universitários e secundaristas.

Quem viveu a Curitiba daqueles tempos lembra muito bem do que os estudantes eram capazes de fazer na maioria das vezes, ordeiramente, para reivindicar seus direitos e do próprio povo. Afloravam inteligências, oradores se revezavam em alocuções quentes e coerentes, onde mitas vezes despontavam futuros lideres políticos. Em 64 veio a "Revolução Redentora" e, com ela, a liquidação das associações estudantis. Nos vinte anos em que esteve no limbo, a nossa juventude retornou à pré-história perdendo a força do diálogo e da oratória. Hoje, quando protestam, pintam as caras, para, como silvícolas mostrarem que estão em guerra.

As manifestações de junho de 1945 só terminaram quando Manoel Ribas voltou da viagem que fizera ao Rio de Janeiro, reassumindo a Interventoria do Paraná. De todo aquele movimento realizado pela UPE, além do exemplo, ficaram as imagens que publicamos: policiais protegendo a Estação de Bondes da Força e Luz, na Barão do Rio Branco e o bonde tombado na Avenida João Gualberto quando as passagens dos coletivos, depois de se manterem durante anos em custos estáveis, subiram dez centavos.

Ônibus FNM - Curitiba - 1972

Ônibus FNM - Curitiba - 1972
A imagem mostra um ônibus FNM com carroceria Nimbus/Furcare trafegando pela canaleta no bairro Santa Cândida. Esta foto foi tirada antes da implantação dos ônibus expressos, em 1974. O veículo pertencia à empresa Transporte Coletivo Glória, e percorria a linha Olaria

Inauguração do Sistema Expresso - Curitiba - 1974
Vemos na imagem a entrega dos vinte primeiros ônibus expressos de Curitiba, em 22 de setembro de 1974. Os veículos foram produzidos pela Marcopolo, de Caxias do Sul. Estes veículos serviram no eixo Norte-Sul

Inauguração do Expresso - Curitiba - 1974
A foto mostra o prefeito de Curitiba na época, Jaime Lerner, que foi também o idealizador do sistema expresso, embarcando em um dos ônibus que realizariam a viagem inaugural do sistema, no eixo Norte-Sul. O sistema, inaugurado em 1974, continua sendo uma das mais bem sucedidas experiências em transporte urbano no Brasil

Ônibus Expressos - Curitiba - 1976
A foto mostra ônibus expressos em Curitiba no ponto da praça Generoso Marques em 1976. Os veículos, de fabricação Marcopolo e Nimbus, percorriam as linhas Capão Raso/Santa Cândida

Ônibus Expresso Padron- Curitiba - 1977
A imagem mostra dois ônibus expresso tipo Padron, trafegando pela Avenida Paraná, em Curitiba, no ano de 1977. Percorriam a linha Santa Cândida / Capão Raso. Posteriormente os veículos seriam substituídos por modelos articulados

Ônibus Expresso - Curitiba - 1978
Vemos um ônibus Expresso Mercedes / Nimbus percorrendo a canaleta do eixo norte, em 1978. O detalhe curioso é a faixa "É com esse que eu vou" colocada na frente, por conta de uma campanha pela economia de combustível, lançada na época

Bonde - Curitiba

Bonde - Curitiba - Anos 20
O bonde elétrico da imagem trafega pela rua Comendador Araújo, em Curitiba, nos anos 20. A eletrificação dos bondes foi inaugurada em 7 de janeiro de 1913, e os primeiros veículos eram de origem belga, da fábrica Les Ateliers Métalurgiques de Nivelles

Bonde Elétrico - Curitiba - 1932
A imagem mostra dois bondes elétricos trafegando pela Av. João Pessoa, em Curitiba, no ano de 1932. A administração do sistema de bondes nessa época era feita pela empresa Companhia de Força e Luz do Paraná, a qual importou 20 carros Birney dos EUA em 1931

Bonde e Zepelim - Curitiba - 1936
Esta rara foto mostra o dirigível Hindenburg sobrevoando Curitiba em 2 de dezembro de 1936. Na cidade, vemos um bonde de tipo Birney trafegar pela Av. Luiz Xavier. Foi uma das últimas viagens do Hindenburg, que iria se incendiar no ano seguinte em Lakehurst, nos EUA

Bonde em Curitiba - 1939
Vemos na imagem um bonde elétrico nas ruas de Curitiba no ano de 1939. A empresa responsável pela administração do serviço, a Companhia de Força e Luz do Paraná, transferiu em 1937 mais dez bondes Birney que estavam em serviço em Porto Alegre. A bitola destes teve de ser convertida da padrão (1435mm) para a métrica, usada em Curitiba

Bonde - Paranaguá - 1915


O serviço de bondes em Paranaguá nunca foi eletrificado. Os pequenos veículos, com bitola de 60 cm, sempre foram puxados por animais, só excepcionalmente a vapor, além de ter um veículo convertido para tração a motor de gasolina. Com o fim dos bondes a burro em Curitiba, em 1912, alguns carros novos foram incorporados à frota de Paranaguá a partir de fevereiro de 1913. O serviço de bondes nessa cidade durou até 1938

Bonde - Paranaguá - 1915

A imagem mostra um bonde elétrico, com reboque atrelado, em Curitiba, no ano de 1916. O reboque era na verdade um antigo bonde de tração animal convertido. Eram usados como carros de 2ª classe, com a passagem custando metade do preço, isto é, 100 réis

Bonde a Burros Elétrico - 1913

A foto, tirada em Curitiba em 1913, ano da inauguração do serviço de bondes elétricos, mostra os dois tipos de bonde, que conviveram por algum tempo até a retirada dos veículos de tração animal. Parte destes veículos foi transferida para o serviço em Paranaguá

Bonde a Burros - Paranaguá - 1910


Os serviço de bondes de Paranaguá foi inaugurado em 7 de dezembro de 1893, sendo os veículos nessa data rebocados por uma pequena locomotiva a vapor. O material rodante compreendia 11 veículos, para carga e passageiros, puxados por 33 burros. Haviam duas locomotivas a vapor, usadas somente em dias de grande movimento

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